segunda-feira, 19 de maio de 2014

a mãe querida escreveu este texto

(para o Woody, com amor, pelo seu 15º aniversário que ocorrerá quando passarem exatamente  9 meses e 5 dias depois de ter partido sabe-se lá para onde)


Quando os filhos deixam de precisar assim tanto de nós arranja-se um cão

Arranjei o Woody porque queria ir passear na praia com um cão a tiracolo. O Rui foi comigo buscá-lo. Do conjunto dos irmãos (que eram muitos) era o único que estava afastado  da mãe. E era o único com manchas castanhas. Parecia uma hiena.

O Woody começou por ocupar o vazio deixado pela saída paulatina dos meninos e acabou por impor uma presença insubstituível. Porque os cães, ao contrário das pessoas, não vão à sua vida, atrelam-se à nossa e não há volta a dar.

E é por isso que me tornei tão dependente do seu cheiro, dos pelos, do mau feitio para com os inimigos de estimação, da alegria quando vinham os meninos ou chegavam os donos, dos biscoitos, da papa seca, do arroz e da carne feitos dia sim, dia não, das longas esperas à janela, das férias programadas em função dele, das idas à rua, à Mariana, à avó, à tia, das corridas malucas pela praia fora, do beber água pela torneira na casa de banho, do medo do banho e da veterinária, do estar ao contrário feliz da vida, do ressonar, do barulho das patas no chão pela noite fora, do amor aos ossos e a toda a porcaria que encontrava pela rua, da paciência para os gatos e da impaciência para as crianças, do sofá só dele, do ar de arrependido quando fazia cocó na sala e lhe chamava porco, do marcar presença sentado na cozinha às sete e meia em ponto (ou oito e meia, ou seis e meia nos dias logo a seguir às mudanças da hora) para todos nós percebermos que estava na hora do seu jantar, das coceiras e das consequentes feridas que tanto trabalho davam a curar, do lugar especial na carrinha feito lorde, dos olhos tristes e do sorriso incomparável…

Não vou querer outro cão porque não vou conseguir ter outro Woody. Mas fica descansado amigo que mesmo depois de teres partido sabe-se lá para onde vais continuar sempre a ir com os donos para a praia no popó.

Até porque sem ti a praia não tem mesmo graça nenhuma.


1 comentário:

  1. Que texto comovente e realmente, os nossos animais não vão à sua vida como fazem os nossos filhos.......

    Ana Crujo

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