domingo, 18 de agosto de 2013

o Fringe e o Leandro (ou férias 4/4)

voltei agora de edimburgo. quando fecho os olhos vêm-me imagens da cidade e não me apetece dormir já (viemos directos da cidade em noites passada em autocarros aeroportos e aviões). apetece-me escrever. as experiências que mostram passos de mudança e avanço são sempre mudanças que me fazem pensar muito. e o regresso ao trabalho e quotidiano, pelo qual ansiei tanto durante as férias (é verdade) fazem-me agora ansiar por algo diferente. custa a transição para a normalidade quando acompanhei o leandro a dar um passo de gigante no que muitas vezes lhe pareceu um vazio, algo que nunca serei capaz de fazer. chegar ao Fringe pela primeira vez foi uma aventura e um desafio. a imagem forte, a original e personalizada entrega de flyers no jardim, e, acredito eu, o boca a boca, encheram a sala todos os dias. o espectáculo fez-se apenas com a interrupção de um dia porque a ciática do andré nos lançou numa rápida mas necessária visita ao hospital (heroicamente ultrapassada o suficiente para não perder mais nenhum espectáculo).
só estive lá quatro dias e fui para estar lá com o leandro, para dar as mãos ao que fosse necessário. e acabei por encontrar um espaço confortável de pensamento, decepção, euforia, entusiasmo. foi uma montanha inteira de ideias, de avanços gigantes. o leandro teve aqui um passo de gigante e vale a pena fazer três horas de avião para assistir a isso. para entrar na orgânica dele e do trabalho dele, que lhe é tão natural. uma das chaves do sucesso de psyche assim como de todos os outros espectáculos que construiu é o facto de nunca estarem terminados (em nenhum momento do dia). o trabalho e reflexão são constantes e o leandro sabe ouvir desde uma conversa amiga, uma troca de palavras com pessoas da área num jantar ou copo ao final da noite ou até das reacções faciais do público. apesar de saber isso desde sempre estar no Fringe fez-me ver que é mesmo assim que ele trabalha sempre. o que o transforma num aprendiz constante, humilde e em constante melhoramento. e o que ele aprendeu foi gigante. aprendeu sobretudo que tem de utilizar a aprendizagem da próxima vez que for ao Fringe ou seja onde for. um constante work in progress.
o leandro teve um grande espectáculo no Fringe. o que pode melhorar é apenas, como dissemos os dois lá, para o transformar no melhor espectáculo de todos, bombástico, e impossível de ser melhor. considero esse um bom objectivo em tudo. mas já era um bom espectáculo, um grande espectáculo. inteligente, articulado, pensado, dinâmico, divertido e charmoso que cresceu com o que foi percebendo do humor que não é o português, numa realidade que não é a nossa.
fui lá para ver o espectáculo e para ver mais uma vez o Fringe. fiz as duas coisas e senti-me mesmo confortável nos dois sítios. os meus amigos são os meus mais que tudo e assim que cheguei senti mesmo que o meu lugar ao pé dele fazia sentido (mesmo com alguma dificuldade em perceber quando ele precisava de ajuda ou de silêncio, como é natural neste contexto). e foi divertido, quase hilariante, com o resto da fantástica equipa, com o documentário onde tive a sorte de participar no último dia de filmagens.
ainda estou um bocadinho lá e está a custar-me encaixar-me aqui.
deixo por aqui uma mensagem pessoal para a minha estrela do Fringe, porque há frases que se forem lidas por mais gente (os dois três leitores deste bloque) pode trazer-lhes algum crescimento como me trouxe a mim.
sinto-me absurdamente orgulhosa do que conseguiste. uma sala cheia de gente que não só ria, como se espantava, enojava com o prego, sofria com as histórias infelizes do Richard. dos poucos espectáculos que vi o público estava, efectivamente, na sala contigo, a ser levado por ti, pela tua dinâmica, para o sítio para onde os querias levar - e essa é a maior prova de sucesso. acontecesse o que acontecesse durante o dia estavas sempre ali, no palco, com a energia de que falamos tanto antes de ires. fizeste um grande primeiro Fringe. agora vamos colar as peças todas e vais para o teu sítio isolado pensar no próximo. obrigada por me teres deixado entrar desta forma na experiência Fringe/Psyche. somos muito diferentes mas sei que percebes a minha vontade de estar presente nos sucessos e momentos de passagem das pessoas que gosto tanto. quando precisares estou aqui, de caixa de sushi na mão ou no Irish a comentar como são baratas as refeições cá, para falarmos disto ou não falarmos disto, ou pensarmos como raio será agora ou para falarmos das maiores parvoíces que ninguém se lembraria. e sim, quando for grande quero ser como tu. a tua constante vontade de quereres ser maior e achares sempre que não chegaste lá tanto me angustia por não concordar minimamente como me deixa de queixo caído. para o ano vais partir a casa toda no Fringe. eu sei que sou muito amiga mas aqui estou a ser o mais imparcial possível. tens as minhas estrelas com a citação por baixo. não preciso de te dizer quais são. foi um grande espectáculo. foi uma grande semana que passei contigo. emocionei-me no último dia com o entusiasmo final das pessoas enquanto te despedias do Fringe. e a despedida para mim foi a melhor de todas, do que te ouvi falar - estavas feliz com a experiência, ansioso por voltar e por depois das merecidas férias regressar ao trabalho. saber aceitar o fim do Fringe nunca como uma recta final mas como um começo.
o que eu mais gosto em ti é esta capacidade de ainda estares sempre a ensinar-me e a surpreender-me. és o maior. muitos obrigadas e brindes e vénias. superaste mais uma prova. uma grande. e foi bombástico.

     

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