segunda-feira, 1 de julho de 2013

este fim de semana

tenho andado rodeada de demasiadas pessoas que não são como eu. que não andam de transportes públicos, que não compreendem sandálias de cabedal, que não gostam de acampar, que satirizam quem não é requintado e delicado, que não usam mochila. não que isso me canse mas crio defesas, distâncias, isolo-me.
este fim de semana foi o oposto disso. estive com as minhas pessoas hora a hora. com quem me sinto confortável. e este conceito esteve muito tempo na minha cabeça este fim de semana. as situações não são sempre as ideais, mas preciso de estar confortável, seja qual for a opção que eu tome. e muitas vezes tomaria outras mas sei que neste momento isso seria demasiado. preciso parar um minuto e estar bem. estar em paz. mas isso não pode significar, e nunca significou até hoje que eu esteja a fingir ser ou estar de uma forma que não me é natural. eu se calhar escolheria uma forma diferente. escolheria sempre porque nunca me conformei com pouco. mas depois há a verdade e a verdade é que estou absurdamente feliz. e mesmo que não consiga explicar isso é mesmo verdade. e este fim de semana foi isso. em mil pessoas que não apareceram ou responderam outras mil estiveram aqui, no aniversário do palácio, na praia, a conversar sobre livros ou sobre nada, a ver nascer o dia, ao telefone a dizer para não sair à rua que está muito calor. este é o meu espaço de conforto. e de repente consigo respirar. descansar. dormir, ler, rir-me disparatadamente, quase como "antes".
agora, estes dias, vou voltar ao trabalho. ao boris vian a ver se o desbloqueio. ao surrealismo que já terá datas marcadas. preciso de me concentrar neste meu silêncio e trabalhar. e estar com os meus. molhar os pés na fonte do martim moniz porque está calor. darei notícias em breve mas o trabalho vai começar a dar frutos e a apatia acabou. é difícil tentarmos viver o dia inteiro dentro de uma bolha para que não nos vejam. mas já vivi situações piores. agora nada me chateia. porque as minhas feridas estão a sarar e, sem pedir ajuda, não tenho ninguém que me desequilibre o dia. e isto não é falta de amor (o amor está lá). é saber qual o sítio onde o encaixar.

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