terça-feira, 21 de maio de 2013

a co-adopção

pelas palavras do Sérgio Vitorino que serão sempre melhores que as minhas. de quem vive de perto. eu não me consegui explicar. roubo-lhe as explicações.

"Co-adopção para alguns, as cobardias do costume, a anti-política dos "pequenos passos" e como sem querer o movimento LGBT aceitou que umas famílias são melhores do que outras...

É uma posição pessoal, mas...
Desculpem quebrar o festejo e o consenso gerais, mas quanto mais penso nesta Lei da co-adopção, mais creio que uma vez mais fomos traídas e enganadas pela cobardia do PS em ir mais além. Claro que estou feliz pelas poucas crianças e casais que resolverão a sua situação se esta lei vier a ser aprovada (ainda só o foi na generalidade e ainda tem de passar pelo Cavaco e eventualmente pelo TC). Mas acho que esta Lei só vai atrasar como nunca para as calendas a verdadeira questão em falta: o reconhecimento pleno da parentalidade não-hetero. Acho inconcebível e um tiro no pé estarmos a apoiar uma Lei que discrimina entre crianças em função do tipo de família em que estão inseridas e que só reconhece a sua família de facto quando existe uma união de facto ou casamento formalizado; quando não existe um/a 3º/ª progenitor/a já oficialmente reconhecido/a ou que não contempla, por exemplo, a situação da Fabíola e da Ana, em que já não existindo coabitação nem união de facto, se manteve aquilo que deve ser o único critério para a co-parentalidade, o vínculo parental com as crianças. Que os partidos não entendam a diversidade das realidades familiares, é de esperar, mas que o movimento lgbt o faça e aceite como avanço uma Lei que discrimina entre crianças e entre famílias, parece-me um engano mais grave. O mesmo para os direitos pela metade: que os partidos os consagrem, é quase da sua natureza, que nós nos contentemos com isso sem uma crítica, significará que nos darão sempre ainda menos do que metade. Irónico será se o TC chumbar esta Lei por considerar que há crianças de famílias lgbt que estão a ser discriminadas e ficaram sem o mesmo acesso à co-adopção, mas por mais que doa, terei de ser coerente e concordar com esse chumbo. às vezes mais vale não aprovar nada do que aprovar um embróglio jurídico que cria novas discriminações e que na verdade funciona como tampão para que não acedamos ao conjunto da reivindicação: parentalidade, co-adopção (sem discriminação das famílias não-formalizadas) e adopção.
O erro desta lei é considerar como critério para a co-adopção não o vínculo das pessoas com a criança, mas o modelo familiar, considerando apenas dois possíveis (casamento, união de facto). É impressão minha, ou isto vai contra tudo o que defendemos? Os pais hetero deixam de ser pais quando se divorciam? Então porque o aceitamos para nós?"

1 comentário:

  1. Obrigada por trazeres mais luz a este assunto com esta partilha.

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