quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

obliquidades #23

15h36
não me lembro de dias fáceis lineares lembro-me de alegrias súbitas de paz que dura duas horas de sentir o chão e escolher a corda lembro-me de cobrir o desalento com o piano, com a poesia, com os livros, com o calor, com o silêncio mas fácil nunca por escolha sempre por escolha sei lá eu descansar sei lá eu não me apaixonar pelo jogo mais difícil de todos os jogos do meu escritório, sei lá eu viver sem pensar sei lá eu adaptar-me a rotinas. sei assumir a dificuldade mas depois acordo cada dia mais cansada como naquele dia em que na Comuna me puxavam os pés para trás para que o corpo vencesse o obstáculo e então lembro-me da Comuna dos risos de não ter pressa de não achar que agora o tempo inverteu e já não conta para cima conta para baixo. eu que sempre me virei para o difícil há dias em que peço um dia fácil que me abracem e me dêem calor de uma manta e de uma conversa simples em que não me sinta desafiada o cérebro já não pode ser desafiado, preciso de hoje não ser eu a pensar no melhor a fazer, no erro e no certo, de não me martirizar por ontem ter errado ou hoje ter errado ou pensar mil vezes no que fiz bem e no que significa cada um dos gestos das minhas pessoas, e pensar mil vezes no que eu quero que seja e no que será e no que não será e no talvez e ter cuidado e não ficar demasiado feliz nem demasiado triste porque não mereço mais infelicidade, já chega, vá, já chega. se calhar amanhã sim quando dormir melhor quando me lembrar das palavras agora por favor por favor por favor tomas tu conta de mim só até o sol se pôr e eu entrar no barco?


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