domingo, 3 de fevereiro de 2013

obliquidades #20

16h04
no outro dia no cais do sodré com um amigo céptico reflecti sobre o amor. como foram cinco anos infelizes. como aprendi sozinha a criar o meu estado diário, as minhas defesas, o meu trabalho. a moldar-me. e depois não foi possível não pensar que o erro não está no amor e sim na minha forma de amar. nas pessoas que envolvo neste inferno. e a diferença talvez esteja nesta mesma obliquidade. no que antes era plano. na forma como se encara o amor realizado, efectivo. na forma como moldei aos meus dias que essa era a única forma de amar.
não vou entrar em formulações quase moralistas e dizer que esta paz faz sentido ou negar que um dia, quando não estiver de todo à espera, isto me vai cair em cima como uma torre de cimento. e às vezes quase que cai. às vezes. poucas vezes.
de resto isto é uma forma de unir o amor ao silêncio, à poesia, à espera não de algo melhor mas do caminho certo. não será menos por isso. o amor tem todas as letras maiúsculas, todas as certezas, todos os gestos quotidianos, todas as histórias de todos os livros e de todos os filmes e de todos os poemas e de todos os outros que se cruzam comigo.
este amor é igualmente real. igualmente fogo de artifício. igualmente precioso. igualmente a poesia calada. é só mais do que isso, não menos. e não vai a lado nenhum, vai deixar-se estar quieto, a existir. e não é fácil deixar só o amor existir. mas este faz isso à minha revelia. e eu só tenho de aceitar. e aceito. aceito mesmo.

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